GEO salta de 8,9% para 30,4% e cobra produção interna
Pesquisa da 8D Hubify com a PipeLovers mostra o GEO indo de 8,9% em 2025 para 30,4% das estratégias de 2026. O gargalo é processo de conteúdo, não ferramenta.
O GEO passou de 8,9% em 2025 para 30,4% das estratégias previstas para 2026, o maior avanço entre as prioridades de marketing no Brasil, segundo pesquisa da 8D Hubify com a PipeLovers. Aparecer em resposta de mecanismo generativo depende de conteúdo publicado com frequência e identidade estável — trabalho de rotina do time interno.
A adoção de GEO — Generative Engine Optimization, a otimização da presença da marca em buscas com inteligência artificial — saltou de 8,9% em 2025 para 30,4% das estratégias previstas para 2026. O dado é da segunda edição da pesquisa Tendências de Marketing, Vendas e RevOps, da 8D Hubify em parceria com a PipeLovers, feita com 214 profissionais e lideranças de diferentes setores. Foi o maior avanço entre todas as prioridades do levantamento. Em um ano, GEO deixou de ser assunto de conferência e virou linha de plano orçamentário.
Não é troca de canal, é acúmulo de camada
Quem lê o número isolado imagina que o mercado está migrando de busca tradicional para busca generativa. Os outros dados da mesma pesquisa dizem o contrário: o SEO passou de 31,3% para 42,5% das intenções de investimento e o branding chegou a 50% das prioridades para 2026. As três frentes crescem juntas porque resolvem o mesmo problema em pontos diferentes: ser encontrado, ser entendido e ser preferido.
Isso combina com os objetivos declarados. Aumentar conversões e vendas lidera com 58,4% das respostas, seguido de geração de leads qualificados com 45,3% e fortalecimento de marca e autoridade com 38,3%. Autoridade entrou na conta de receita, não na de imagem.
A mídia paga continua pagando a conta
Vale registrar o que não mudou. A mídia paga foi mencionada por 66,4% dos participantes em 2025, à frente de redes sociais (62,1%), CRM (43,9%) e marketing de conteúdo (43%), e liderou também a percepção de retorno: 50% a apontaram como a estratégia que mais gerou ROI, contra 23,8% de redes sociais e 20,6% de CRM.
A leitura prática é direta: nenhuma empresa vai desligar a mídia para investir em GEO. O que está em jogo é a dependência. Mídia paga é aluguel de atenção — para de pagar, para de aparecer. Presença orgânica em busca e em resposta de IA é patrimônio: leva mais tempo para construir e não some no dia em que o orçamento aperta.
Aparecer na resposta da IA é problema de processo
Um mecanismo generativo monta a resposta a partir do que encontra publicado sobre o assunto e sobre a marca. Duas condições operacionais decorrem disso, e nenhuma se resolve com compra de software.
A primeira é volume constante. Conteúdo publicado em rajadas — três meses de posts, seis meses de silêncio — deixa a marca fora do repertório justamente quando a categoria está sendo pesquisada. A segunda é identidade estável. Marca que muda de nome, de promessa e de vocabulário a cada campanha entrega sinais contraditórios: cada peça descreve uma empresa diferente.
O que a busca com IA premia é o que branding sempre exigiu: dizer a mesma coisa, do mesmo jeito, por muito tempo.
É o tipo de disciplina que aparece na operação. A Rede Market começou o rebranding em 2016, quando era Multi Market e tinha 5 lojas; hoje são 12, mais o BOX Atacadista, com 2 lojas, no mesmo grupo. As Drogarias Povão fizeram rebranding em 2019 e saíram de 5 para 21 lojas no Sul Fluminense. Em ambos os casos, a identidade precisou sustentar encarte, fachada, data comercial e digital ao mesmo tempo, todo mês, por anos. Essa é a mesma exigência que o GEO impõe — só que agora a máquina também está lendo.
O gargalo não é a ferramenta, é o que o time faz com ela
Aqui a pesquisa do mercado é constrangedoramente clara. Nos Panoramas RD Station 2026, com 2.790 respondentes, 6 de cada 10 profissionais já usam IA no dia a dia de marketing e vendas, mas apenas 4 de cada 10 a usam para facilitar análises, e usos ligados diretamente à receita — análises preditivas, scoring e qualificação, social listening — não chegam a 10% cada.
O retorno percebido segue o mesmo desenho. O principal benefício associado à IA é produtividade e redução de tarefas repetitivas, com 59%, enquanto aumento de leads e clientes aparece com 20%, melhora de conversão com 18% e vendas mais precisas com 17%; 53% das empresas dizem usar apenas o básico da tecnologia. No mesmo estudo, 87% das empresas pretendem crescer mais em 2026 e 75% não bateram a meta de vendas em 2025.
Ou seja: a IA já está dentro da empresa, produzindo mais texto, mais rápido. O que falta é o texto sair com a mesma cara, com a mesma informação e com frequência previsível.
O que fazer com esse número
GEO em 30,4% das estratégias significa que, em 2026, um terço dos concorrentes vai estar alimentando essas respostas de forma deliberada. Quem só usa IA para acelerar produção sem padronizar identidade vai publicar mais e ser reconhecido menos.
Três coisas que dependem do time interno, não de fornecedor:
- Repertório documentado: tom, termos que a marca usa e não usa, provas, números reais, perguntas que o cliente faz. É o que o modelo precisa receber para não inventar a empresa a cada prompt.
- Cadência publicada: uma frequência que o time consiga manter em mês de balanço e em mês de inauguração. Constância vale mais que pico.
- Medição do que a IA responde: perguntar às ferramentas generativas sobre a categoria e sobre a marca, com periodicidade, e registrar quais fontes elas citam.
É exatamente esse desenho — repertório, rotina e revisão — que transforma IA de atalho de redação em capacidade de produção em escala com identidade contínua. Sem ele, o aumento de volume só acelera a incoerência.
Perguntas frequentes
Como minha empresa aparece nas respostas de inteligência artificial?
Um mecanismo generativo monta a resposta a partir do que encontra publicado sobre o assunto e sobre a marca. Por isso dependem duas coisas: volume constante de conteúdo e identidade estável. Marca que publica em rajadas, três meses de posts e seis de silêncio, fica fora do repertório justamente quando a categoria está sendo pesquisada.
Preciso parar de investir em anúncios para investir em busca com IA?
Não. A pesquisa mostra que as frentes crescem juntas: o SEO passou de 31,3% para 42,5% das intenções de investimento e o branding chegou a 50% das prioridades para 2026. A mídia paga foi apontada por 50% como a estratégia que mais gerou ROI. O que muda é a dependência: mídia paga é aluguel de atenção, para de pagar e para de aparecer.
Quantas empresas vão investir em aparecer na busca com IA em 2026?
A adoção de GEO saltou de 8,9% em 2025 para 30,4% das estratégias previstas para 2026, segundo pesquisa da 8D Hubify com a PipeLovers, feita com 214 profissionais e lideranças. Foi o maior avanço entre todas as prioridades do levantamento. Na prática, um terço dos concorrentes vai estar alimentando essas respostas de forma deliberada.
Comprar uma ferramenta de IA resolve o problema do meu marketing?
Não resolve. Nos Panoramas RD Station 2026, com 2.790 respondentes, 6 de cada 10 profissionais já usam IA no dia a dia, mas 53% das empresas dizem usar apenas o básico da tecnologia. O principal benefício percebido é produtividade, com 59%, enquanto aumento de leads e clientes aparece com apenas 20%. O gargalo é processo de conteúdo, não software.
O que fazer para a IA não inventar informação sobre a minha empresa?
Documentar o repertório da marca: tom, termos que a marca usa e não usa, provas, números reais e as perguntas que o cliente faz. É isso que o modelo precisa receber para não descrever uma empresa diferente a cada prompt. Some a isso uma cadência de publicação que o time consiga manter e a revisão periódica do que as ferramentas generativas respondem sobre a categoria e sobre a marca.
Mudar a identidade da marca a cada campanha atrapalha?
Atrapalha. Marca que muda de nome, de promessa e de vocabulário a cada campanha entrega sinais contraditórios, e cada peça descreve uma empresa diferente. A busca com IA premia o que branding sempre exigiu: dizer a mesma coisa, do mesmo jeito, por muito tempo. A Rede Market e as Drogarias Povão sustentaram a mesma identidade em encarte, fachada e digital por anos enquanto multiplicavam lojas.
Fontes consultadas
- IA impulsiona mudanças no marketing das empresas brasileiras
- Sabe o que é GEO? Tendência cresce mais de três vezes entre prioridades de marketing para 2026 – CartaCapital
- GEO lidera crescimento entre prioridades de Marketing para 2026 - Mundo do Marketing
- Panoramas RD Station 2026: o que os dados revelam?
- Inteligência Artificial em Marketing e Vendas: como empresas estão usando IA?
- Uso de IA estagna nas áreas de Marketing e Vendas e expõe desafio de maturidade digital, revela Panoramas RD Station 2026 - Correio Regional São Paulo
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