R$ 65 bi em datas: preparar a loja para Black Friday e Natal
Quatro datas devem injetar R$ 65,07 bilhões no e-commerce até dezembro. Preparar a loja para a Black Friday e o Natal é uma decisão de verba que se toma agora.
Levantamento da Abiacom projeta R$ 65,07 bilhões em quatro datas do segundo semestre no e-commerce: Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday (R$ 14,75 bilhões) e Natal (R$ 29,60 bilhões). O faturamento se concentra em poucas semanas. Encarte, mídia e ponto de venda pedem um plano único, com verba distribuída antes de outubro.
Preparar a loja para a Black Friday virou decisão de agosto. Levantamento da Abiacom divulgado no fim de julho projeta R$ 65,07 bilhões injetados no e-commerce brasileiro por quatro datas do segundo semestre: Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal (Conexão Tocantins). O varejo de rua e de bairro não vende online na mesma proporção, mas disputa o mesmo consumidor, nas mesmas semanas, dentro do mesmo orçamento familiar.
Quanto cada data comemorativa movimenta até dezembro
A projeção abre o valor por data. Dia dos Pais, em agosto, deve gerar R$ 10,56 bilhões. Dia das Crianças, R$ 10,16 bilhões. A Black Friday concentra R$ 14,75 bilhões, com o maior tíquete médio isolado do mercado, R$ 808,50. O Natal lidera em volume: R$ 29,60 bilhões e 42,24 milhões de pedidos. No ano inteiro, o e-commerce brasileiro deve faturar R$ 258,4 bilhões, alta de 10% sobre o ano anterior (Monitor do Mercado).
Divida uma coisa pela outra: essas quatro datas respondem por cerca de um quarto do faturamento anual do setor. E o Natal, com R$ 29,60 bilhões distribuídos em 42,24 milhões de pedidos, dá um tíquete médio perto de R$ 700 — bem abaixo do da Black Friday. São públicos e cestas diferentes dentro do mesmo trimestre.
Preparar a loja para a Black Friday começa antes de outubro
O consumidor decide antes da data. Pesquisa da Wake com o Opinion Box aponta que 42,5% dos consumidores se programam com antecedência para a Black Friday e 75,6% participam principalmente para aproveitar desconto (Central do Varejo). Quem só aparece na semana da data entra numa conversa que já começou.
O lado da operação empurra o prazo ainda mais para trás. Negociação de encarte com a indústria, definição de itens âncora, produção gráfica, contratação de mídia externa e escala de equipe são decisões com prazo próprio. Em outubro, o que sobra é executar o que já foi comprado.
Vale olhar de onde veio o crescimento da data. Na Black Friday de 2025, a Abiacom projetou R$ 13,34 bilhões, com cerca de 16,5 milhões de pedidos e tíquete médio de R$ 808,50, contra R$ 738 no ano anterior (Mercado&Consumo). O tíquete subiu cerca de 9,5%; o número de pedidos, menos de 5%. O ganho veio mais do valor de cada compra do que de gente nova comprando.
Por que campanhas separadas compram o mesmo cliente três vezes
Quando Dia das Crianças, Black Friday e Natal são tratados como três projetos independentes, cada um refaz o mesmo trabalho: monta público do zero, testa criativo do zero, paga de novo pelo alcance de quem já foi impactado. A base construída em outubro não é usada em novembro. O encarte de novembro não conversa com a cesta de dezembro. O resultado aparece na margem, não no faturamento — a loja vende, mas cada venda custa mais.
Um plano único trata a sequência como uma coisa só: mesmo calendário de compras, mesma base de clientes acumulada, oferta encadeada em vez de repetida. Quem foi impactado em outubro entra em novembro por um caminho mais barato. A verba deixa de ser dividida em três potes e passa a ser alocada por data conforme o peso de cada uma.
Quatro datas concentram R$ 65,07 bilhões, cerca de um quarto do que o e-commerce brasileiro deve faturar no ano inteiro. O que protege a margem não é o desconto de novembro: é o plano fechado em agosto.
O que fazer com esse calendário no Varejo 360
Varejo 360 existe para campanhas de grande demanda: encarte, data comercial, inauguração, integração entre digital e off. Nessa sequência de datas, o trabalho é montar um plano só, com verba distribuída pelo peso de cada data, encarte e ponto de venda alinhados à mídia e a mesma base de clientes usada de agosto a dezembro.
O efeito multiplica com o número de pontos. Uma operação como a Rede Market, com 12 lojas no Sul Fluminense, e o BOX Atacadista, com 2 lojas do mesmo grupo, repete cada decisão de calendário loja a loja: sortimento, cartaz, encarte, mídia local. Três campanhas soltas viram dezenas de execuções desalinhadas. Um plano único vira uma execução replicada.
A decisão prática é simples de nomear e difícil de adiar: fechar agora quanto vai para cada data, o que entra em cada encarte e qual cliente se pretende trazer de volta em dezembro.
Perguntas frequentes
Quando eu preciso fechar encarte e mídia de novembro e dezembro?
Antes de outubro. Negociação com a indústria, definição de itens âncora, produção gráfica e contratos de mídia têm prazos próprios que se somam, e a compra de espaço fica mais disputada quanto mais perto da data. Em outubro a operação já está executando o que foi comprado, não decidindo.
Minha loja é física e não vende online. Esses números do e-commerce servem para mim?
Servem como leitura de demanda e de concorrência. O consumidor que vai gastar nessas datas é o mesmo, com o mesmo limite de orçamento, e ele compara preço online antes de ir à loja. A projeção mostra em quais semanas o dinheiro vai circular e quanto ele tende a gastar por compra.
Vale a pena antecipar promoção antes da Black Friday?
Antecipar a comunicação vale mais do que antecipar o desconto. A pesquisa da Wake com o Opinion Box mostra que 42,5% dos consumidores se programam com antecedência para a data, ou seja, pesquisam antes de comprar. Estar presente nessa fase de pesquisa custa menos do que disputar atenção na semana da data.
Fontes consultadas
Leia também
Onde o seu marketing está vazando dinheiro?
O diagnóstico da V360 pontua a sua operação em seis eixos e devolve o resultado na hora, na tela. Leva poucos minutos.
Fazer meu diagnóstico